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Jornadas Luso-Brasileiras de Pensamento e Literatura

Temas Clássicos do Pensamento Moderno

 
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa
15 e 16 de Abril de 2013
 
 
Jornadas luso-brasileiras 'Temas Clássicos do Pensamento Moderno'
Por ocasião da celebração do Ano do Brasil em Portugal a Área "Matrizes Clássicas e Cultura Europeia" do Centro de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa organiza as Jornadas Luso-Brasileiras sobre Pensamento e Literatura incidindo sobre o tópico Temas Clássicos do Pensamento Moderno.
 
O evento junta investigadores de diversas universidade de ambos os países com trabalhos que incidem sobre a influência e recepção de temas e/ou autores da antiguidade clássica em autores da modernidade, com especial incidência nos séculos XVIII e XIX.
 
 

Programa 
  

15 DE ABRIL DE 2013

14:00 – 15:30 (sala de vídeo)

Alexandre Franco de Sá
Universidade de Coimbra
Quatro motivos trágicos em Fiódor Dostoiésvski
A presente comunicação pretende revisitar a relação entre Dostoiévski e a tragédia, já exaustivamente trabalhada, a partir de quatro motivos trágicos fundamentais. Em primeiro lugar, ter-se-á em conta a situação trágica, na sua coincidência singular entre liberdade e necessidade. Em segundo lugar, abordar-se-á a representação trágica do homem na sua relação com uma potência daimoníaca que o seduz. Em terceiro lugar, procurar-se-á enquadrar a relação deste homem trágico com os outros homens, alicerçada na relação entre o normal e o excepcional. Finalmente, em quarto lugar, a análise centrar-se-á na temporalidade e na mortalidade como condição do próprio trágico.
 
 
João Figueiredo
Universidade de Lisboa
"Escrevendo a memória em vária tinta": Camões e as artes memorativae
 

16:00 – 17:30 (sala de vídeo)

Jacira de Freitas
Universidade Federal de São Paulo
O mito da antiguidade no pensamento de Jean-Jacques Rousseau
O elogio de Esparta e da república romana, o ideal de legislador cristalizado nas figuras de Licurgo e Solon exprimem uma visão, que apresenta a antiguidade clássica como momento privilegiado da humanidade, no qual estariam preservadas a liberdade e a incorruptibilidade. Tal concepção presente no pensamento de Rousseau desempenha um papel essencial no conjunto do seu sistema, já que é sobre ela que serão elaborados os princípios que estão nas bases do pensamento do filósofo. O texto aqui apresentado expõe as consequências da influência dos autores clássicos, como Plutarco, por meio dos quais o mito da antiguidade clássica se elabora e consolida no pensamento de Rousseau.
 
 
José Carlos Casulo
Universidade do Minho
Uma reflexão de Álvaro Ribeiro sobre o valor educativo da Retórica
Aceite desde a antiguidade clássica como uma disciplina imprescindível na formação intelectual dos alunos na idade da adolescência e juventude, a Retórica, já desde o século XIX e ao longo do século XX, veio a ser afastada dos currículos do ensino de cariz liceal. Álvaro Ribeiro (1905-1981), pensador cimeiro do grupo da Filosofia Portuguesa, não deixou de reagir a este movimento repulsivo. Assim, esta comunicação apresenta um aspecto dessa reflexão do filósofo valorativa da arte da persuasão, concretamente a que é vertida no segundo capítulo da primeira parte de Estudos Gerais, obra dada a lume em 1961.
 

16 DE ABRIL DE 2013

11:00 – 12:30 (sala D. Pedro V)

Maria das Graças de Souza
Universidade de São Paulo
Diderot leitor de Sêneca: o filósofo e o tirano
No seu Ensaio sobre os reinos de Claudio e Nero, também chamado Ensaio sobre Sêneca, Diderot, considerando a condição de Sêneca como ministro de Nero, é levado a refletir sobre a difícil relação entre a filosofia e a política, mais precisamente, entre o filósofo e os poderes constituídos. Diderot assinala então três alternativas: devemos ser inflexíveis do ponto de vista dos princípios, ou, em certas situações, seria melhor ceder quanto a nossas convicções, tendo em vista um resultado futuro? Entre uma escolha ou outra, é certo, para Diderot, que o filósofo não pode escapar do compromisso. Neste sentido, ele julga que, dada a situação na qual Sêneca viveu, seu lugar não poderia ser outro a não ser a corte de Roma, quer dizer, "o antro da fera".
 

14:00 – 15:30 (sala de vídeo)

Maria Constança Pissarra
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Um modelo a imitar: Catão
Para Catão não bastava exigir da cidade e de seus cidadãos integridade moral, retidão intelectual e patriotismo republicano. Alem disso, era preciso dar o exemplo como alguém para quem a virtus era, antes de tudo, um modo de ser e de viver. Inspirado pela presença desse cidadão romano, entre outras figuras legendárias da Antiguidade, Rousseau vê esse período com um mundo heroico e ético, tal como era a figura de seu pai que ele tinha na memória como o cidadão virtuoso que lhe dera a vida, que vivia do trabalho de suas mãos e que tinha misturado aos seus instrumentos de trabalho as obras de Tácito, Plutarco e Grotius, como afirma a dedicatória do Discours sur l'origine de l'inégalité. O objetivo desta comunicação é analisar o lugar que esse modelo ocupa, no pensamento de Rousseau, a partir da referência a Catão identificado por ele na Lettre à d'Alembert, como o "maior dos humanos".
 
 
Henrique Miguel Carvalho
Universidade de Lisboa
Sofrimento e representação no Laokoon de Lessing
A representação do sofrimento serviu de pretexto para Gotthold Ephraim Lessing pôr em causa, opondo-se a Wincklemann, a eficácia da máxima horaciana "ut pictura poesis". A posição de Lessing, expressa no Laokoon, abre uma brecha na predileção iluminista por uma teoria unificada da arte, permitindo vislumbrar, e dar o mote, a futuras concepções românticas sobre o tema. Abordaremos aspectos da posição de Lessing, não apenas apontando para subsequentes desenvolvimentos, mas também aludindo ao problema da representação do sofrimento tal como ele aparece discutido em Platão e Aristóteles, nomeadamente por via da noção de "catarse".
 

16:00 – 17:30 (sala de vídeo)

Vanda Anastácio
Universidade de Lisboa
Recriar os géneros da Antiguidade no século das Luzes: alguns exemplos
 
 
Helena Esser dos Reis
Universidade Federal de Goiás
Em torno da concepção tocquevilliana de justiça
Considerando que Tocqueville afirma ser a justiça uma lei compartilhada pela maioria do gênero humano, a qual deve servir de limite às ações das maiorias de cada povo, interessa-nos investigar os fundamentos desta concepção. Tal interesse deve-se ao fato de Tocqueville ultrapassar as particularidades do direito civil de cada povo sem recorrer a um direito imutável fundado na doutrina cristã, nem tampouco a um direito fundado sobre a natureza humana, tal como propunham os jusnaturalistas – ambas possibilidades bastante comuns em sua época. Considerando sua formação jurídica, neste texto investigaremos se o conceito tocquevilleano de justiça remete a concepção romana de Jus Gentium.

 
 
 
Entrada Livre,
sujeita à lotação da sala
 
Para receber documentação e certificado de presença: 7 €
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