Mapa do Site    |    Pesquisa
| Publicações Volumes Colectivos

Ovídio: exílio e poesia

Actas do colóquio no bimilenário da "relegatio"

Ovídio: exílio e poesia

 

Aires A. Nascimento; Maria Cristina C. M. Sousa Pimentel (eds. lits.)

 

Edição: Lisboa: Centro de Estudos Clássicos, 2008

ISBN: 978-972-9376-15-3


Segundo o costume romano, o pater familiastinha o direito de relegar os filhos e os escravos para fora de casa, no campo, onde os esperariam trabalhos duros e condições de vida penosas (Liv. 7,4; Suet. Oct. 65). Como pena política, é posterior à República, mas, ainda durante ela, o Senado e os magistrados superiores tinham capacidade para ordenarem por édito o afastamento de alguém que fosse considerado perigoso para a segurança do Estado (Liv. 2,2; 40,41; Cic. Sest. 12 ss.; Ad Fam. 11,16; 12,29). Augusto usou tal castigo. Tratava-se de uma pena atenuada relativamente a outras (aquae et ignis interdictio, deportatio), pois não comportava infamia nem habitualmente o confisco de bens nem a privação da cidadania. Os imperadores seguintes infligiram muitas vezes tal pena sobretudo por adulterium, stuprum, crimen repetundarum, etc. Diferente era a interdictio certorum locorum, pela qual ao banido era interdito entrar em determinados lugares ou províncias (Tac. Ann. 2,50; 6,49; 12,8; 14,28).
 
No ano 8 da nossa era, Ovídio foi condenado por Augusto a esta pena, sem que lhe constem as razões que a motivaram (Ov., Trist. 2,207): o poeta lamenta-se (cur aliquid uidi, cur noxia lumina feci? Trist. 2, 103; 3,5; 49), mas deixa supor uma acusação de duo crimina, carmen et error (Trist. 2,122).

 


Índice

 
Ovídio: exílio, solidão e criação poética
Aires A. Nascimento
7
La culpa silenda di Ovidio: nel bimillenario dell'esilio
Aldo Luisi
19
Ovídio em português: exílios sem culpa
Nuno Júdice
47
Ovídio no exílio: o Poeta à defesa e a defesa do Poeta
Carlos Ascenso André
55
A relegatio de Ovídio: sua importância no ensino actual do Direito Romano
Eduardo Vera-Cruz Pinto
69
L'ultima notte romana di Ovidio, fra epos ed elegia: una rilettura di Trist. 1,3
Paolo Fedeli
83
Leituras de Ovídio na clausura: a Marquesa de Alorna
Vanda Anastácio e Inês de Ornellas e Castro
113
As 'Metamorfoses' de Ovídio na azulejaria barroca portuguesa
Ana Paula Rebelo Correia
127
O paradigma da mater orba nas Metamorfoses de Ovídio
Cristina Santos Pinheiro
159
Ovídio, o poder imperial e as suas consequências
Raul M. Rosado Fernandes
171
«Iure tibi grates, candide lector, ago»
Maria Cristina de Castro-Maia de Sousa Pimentel
181