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Bens que vêm por mal:
eliminação de candidatos a títulos de teatro português.

(Estudos.  Homenajem a Maria Idalina Resina Rodrigues, Lucília Gonçalves Pires, Maria Vitalina Leal de Matos,
ed. de Teresa Amado e Isabel Almeida, Lisboa: Faculdade de Letras, 2007 (pp. 509-518 + 6 lâminas))

José Camões
Centro de Estudos de Teatro da Universidade de Lisboa

Em meados do século XX, Álvaro Júlio da Costa Pimpão (1947, 1972: 417-418) terminava assim a sua análise da situação editorial dos textos de teatro português Quinhentista de então:

Quer dizer: não temos ainda hoje o Tesouro do antigo Teatro Português, e, como já em 1922 assinalava Carolina Michaëlis, falta-nos um Corpo inteiro de edições críticas, legíveis e comentadas, sobre que o estudioso possa formular o seu juízo com segurança, e dar mais larga e fundamentada base às beneméritas tentativas de Teófilo Braga no volume Escola de Gil Vicente, que remonta a 1898 e de Gustavo Matos Sequeira no importante estudo à mesma Escola na História da Literatura Portuguesa Ilustrada.

No ponto de vista artístico, é possível que este Corpo do antigo teatro português, cuja publicação a Universidade ou o Instituto para a Alta Cultura poderiam intentar, não viesse alterar grandemente a conclusão provisória já formulada sobre os documentos publicados; no entanto, pode ter-se como certo que essa publicação integral, além do seu interesse filológico, superior a tudo o que se possa imaginar, traria para o estudo do ambiente social do século XVI, novas e preciosas achegas.

Para quando essa tarefa?...[1]

Este teatro, pouco a pouco, é certo, tem vindo a ser objecto de algum estudo, sobretudo a partir da segunda metade do século XX, não deixando, no entanto, de ser recorrente o alerta para a escassa atenção de que esses textos são alvo.

Quase cinquenta anos depois do lamento de Pimpão, em 1993, Maria Idalina Resina Rodrigues publicou um estudo onde sublinha a «injustiça ou, no mínimo, ingratidão» de que o teatro Quinhentista posterior a Gil Vicente continua a ser vítima:

Porque, se já nos habituámos todos a reverenciar Gil Vicente como um dos grandes, dos muito grandes da dramaturgia europeia sua contemporânea, a verdade é que ainda não chegou a hora de reabilitarmos com as devidas vénias os seus continuadores, menos talentosos, ninguém o nega, mais espartilhados pelas impertinências inquisitoriais, sobejas vezes se tem repetido, mas nem por isso merecedores de preconceitos, dos descuidos ou até da sobranceria com que deles nos afastamos.

Tem havido excepções, é claro.

Mas se, por um lado, como é uso lembrar-se, elas confirmam a regra, por outro, os estudos levados a cabo têm-se compreensivelmente pautado pela atenção a um texto ou quando muito a um autor, silenciando convergências ou desatendendo a especificidades significativas.

O que se diz para o teatro religioso, pode dizer-se para o profano, evidentemente. Feito o balanço global, escasseiam as edições acessíveis, é reduzida e insegura a informação biográfica sobre quem e em que condições foram compostas as obras, repetitivo ou até desinteressante o que os manuais de Literatura nos contam.

Depois de Gil Vicente, se não o dilúvio, pelo menos o que pouco direito tem a ser salvo da enxurrada...

Injustiça ou, no mínimo, ingratidão.

A este teatro importa conhecê-lo melhor, falar dele com empenhamento e representá-lo mais[2].

Em notas a estes parágrafos, a investigadora assinala que:

Está por fazer o inventário bibliográfico sobre este teatro (p. 187, nota 1), apontando os nomes de alguns investigadores que, no entanto, forneceram alguns dados;

Representaram-se alguns autos, por certo razoavelmente, até finais do século XIX, já que deles são abundantes as edições (p. 187, nota 3), alertando para a escassa produção de espectáculos de teatro no século XX.

Em 2000, manifesta novamente o desejo de ver estabelecido, publicado e representado o corpus do teatro português do século XVI:

Importaria, assim, por exemplo, trazer para o terreno das averiguações todo (?) o teatro português pós-vicentino, dum modo geral pouco conhecido e injustamete catalogado, para nele avaliar o grau e a função da presença da língua espanhola, e ampliar a indagação a dramaturgos, ainda que, em nossos dias, menos representados do que os grandes nomes do barroco hispânico (Lope, Tirso e Calderón), muito populares no século XVII peninsular[3].

O corpus do Teatro Português do século XVI foi, pela primeira vez, fixado por Teófilo Braga em 1870 e 1898[4], a partir de notícias recolhidas em fontes variadas e de títulos de impressos que o historiador compulsou, e tem sido objecto de algums acertos. Como se de um corpo sólido se tratasse, encontra-se sujeito a variações de volume, ditadas não propriamente pela termodinâmica mas por estados de conhecimento que tentam estabelecer uma equilibrada entalpia. O aumento, no entanto, não tem sido substancial. Passado já mais de um século, apenas se lhe puderam acrescentar 7 títulos: Auto da Bela Menina, Auto dos Enanos, Auto das Capelas, Auto de Vicente Anes Joeira, identificados por Carolina Michaëlis de Vasconcelos em 1922, na Biblioteca Nacional de Madrid e, em 1950, o Auto dos Sátiros, descoberto por Eugenio Asensio na mesma Biblioteca. Em 1973 surgiu o Vol. II do Guia dos Manuscritos da Ajuda, publicado pelo Centro de Estudos Históricos Ultramarinos, que na p. 673, na cota 50/V/40 (6), menciona um Auto feito na vila de Santarém por António Pires à festa e louvor de nossa senhora da Porta [da] Valada, ano de mil e quinhentos e sessenta e seis anos. Na mesma Biblioteca encontra-se uma Prática de Brás e Tomé, que apresenta característiscas do teatro quinhentista. Estes dois últimos títulos foram recentemente por mim editados (2006).[5]

Acrescentou-se, pois, em 7 o número fixado por Teófilo Braga. Mas, como disse antes, as oscilações dão-se também no sentido da redução. No entanto, centrando-me apenas no conjunto de 26 títulos que Teófilo Braga incluiu na secção «Anónimos», podemos congratular-nos por serem em menor número, 4, as eliminações no corpus.[6] Todas elas têm em comum o facto de serem títulos arrolados a partir do Índice de 1624[7].

A primeira foi levada a cabo em 1951 por Eugenio Asensio[8], que retirou dessa lista das obras de teatro anónimas Príncipe Claudiano. É referido pelo Índice de 1624 como «Auto do Principe Claudiano», numa série de títulos de autos de teatro, o que pode ter provocado a confusão, quer dos censores quer de Teófilo Braga, sobretudo por a secção em que se inclui terminar com «E geralmente quaeſquer Autos, Comedias. Tragedias, Farsas deshoneſtas...» (p. 96). Asensio restituiu-o ao género, romance, e ao autor, Baltasar Dias, através de um impresso que encontrou na Biblioteca Nacional de Madrid.

A segunda e terceira foram perpetradas por mim em 2006 e referem-se:

a) ao Diálogo onde fala Lactancio e um Arcediano, que penso tratar-se do Diálogo en que particularmente se tratan las cosas acaecidas en Roma el año de 1527, escrito em defesa e louvor da acção de Carlos V no saque de Roma, publicado anonimamente, mas atribuído a Alfonso de Valdés, durante séculos indicado e conhecido como Diálogo de Lactancio y un Arcediano, os nomes dos interlocutores, à semelhança do que aconteceu com outro do mesmo autor, o Diálogo de Mercurio y Carón, com o qual começou por ser impresso em conjunto e que contou com diversas edições no século XVI, pelo menos até 1586, a primeira solta (Fig. 1), para além de traduções para italiano e inglês (Fig. 2)[9]. Não é, pois, teatro, e nem sequer é português;

b) ao Auto dos Dous Compadres, este vindo já do Índice espanhol de 1559, que não é senão a Prática dos Compadres, a conhecida obra teatral de António Ribeiro Chiado; na p. 96 do Índice de 1624, na lista dos autos anónimos, refere-se o «Auto dos dous Compadres, não se emẽdãdo, como se diz no Expurgatorio». No livro Expurgatório do Index, uma vez mais no título Autos, ou representações de varios argumentos, que andam sem nome de Autor, a determinação é: «Auto dos dous compadres impresso em Lisboa anno 1605. fol. 6. pag. 1 se risque, por pouco que me vos deis, ate faloeis andar direito, inclus.».

A precisão da edição em causa e a omissão do título nas obras do Chiado fazem pensar que o censor desconhecia o folheto quinhentista, sem ano, nem local de edição nem impressor, mas com Privilégio Real, que exibe na portada «Auto terceiro. Per Antonio ribeiro chiado. / [seguem-se 6 figuras] Prática dos Compa/dres...». E é nele que nos fólios 6d-7a (Figs. 3 e 4) aqueles versos delimitam a receita para amansar maridos que a Comadre aprendeu de «uma pessoa que o faz a pouca gente»:

Digo-vo-lo que ma ensineis.
Por pouco que me vós deis
vo-lo tornarei salvagem.

Diz: isto é o que haveis de fazer:
tomareis ũa panela
e nam metereis mais nela
que quanto vos eu disser:
os olhos do gato preto
e o coração do galo
atentai no que vos falo
e tende-me isto em secreto
que com isto o mundo abalo

e tomareis um morcego
em nove águas bem lavado
e as unhas do enforcado
qu’isto é pera andar cego
por vós e esbabacado
e tomai as penas da gaivota
e as tripas e a ferçura
e dê tudo ũa fervura
com ũa posta de pexota

e depois arredá-lo-eis
que esfrie um pouco, ouvis?
E coai-os por uns mandis
novos que i achareis
e aquilo que ficar
ponde-o a secar num forno
e tomai a ponta dum corno
dum boi manso de lavrar

e pisai tudo num gral
ao luar da quarta-feira
e coai-o por ũa peneira
nas costas dum alguidar
e depois daquisto feito
dai-lho a beber no vinho
e metê-lo-eis a caminho
e fá-lo-eis andar a dereito.

O expurgo está conforme às Regras iniciais do Index, sobretudo as VI e VIII, que proíbem letras de superstições e de feitiçarias.

Cabe-me agora proceder a uma quarta eliminação da lista de títulos indevidamente atribuídos: o Auto do Estudante Cristóbal de Bivar, arrolado, também ele, a partir da referência que se encontra no Index de 1624 (p. 96): «Auto de como o Estudante Christoual de Biuar liurou a ſeu pay catiuo, ſe permite, tirandoſe a vltima pagina, que tem por titulo, Letrilla en endechas mui graciosas».

Para além de Teófilo Braga, outros autores o deram como título teatral nos últimos séculos, desde Cotarelo[10], que o inscreve com o nº 4 («Auto de como o estudante Christoval de Bivar livrou a seu pae cativo. Prohibido en el Índice expurgatorio portugués de 1624»), até eu próprio, que o incluí no Corpus proposto em 2006.

Ao ler os folhetos que integram a colecção Pliegos Poéticos del s. XVI de la Biblioteca de Cataluña[11], na constante busca de amenizar a entropia resultante da lide com um conjunto muito heterogéneo de textos que a edição integral, em curso, do Teatro de Autores Portugueses do Século XVI reúne, deparei, no nº 35, com o título (Fig. 5):

Obra muy marauillſoa [sic] digna de ſer le | hida y memorada por donde ſe da cuenta de la grande induſtria | que dio vn mancebo,eſtudiante natural de la Ciudad de Barce- | lona,para libertar a ſu padre que eſtaua en cautiuerio,y como a- | uiendo recibido vna carta de ſu Padre,dexo el eſtudio de Latin, | y se aſſento ſoldado en Oran, con intento de aprender el Algara | uia,para ſalir con su induſtria. Donde ſe da cuenta de como paſſo | a Argel,donde ſe vera el fin que tuuo, y de como el y ſu Padre, | vinieron para España, deſpues que lo huuo libertado,a | quinze dias del mes de Nouiembre deste | año de Nouenta y nueue.[12]

De imediato me veio à memória o estudante Cristóvão Bívar que, também ele, livrara o seu pai do cativeiro. Suspeitei que se tratasse do mesmo e a leitura confirmou a suspeita. A meio da coluna b do fol. 2 (Fig. 6) lá se encontrava o nome do filho herói:

Ageno de regozijo
entre llanto y ſoſpirar
aquestas razones dixo
el buen Chriſtoualbiuar
[..]

O texto começa com uma invocação da Virgem Maria e uma apresentação breve do assunto, pelo autor. Só mais ou menos a meio da coluna 1c «Comiença la obra», que narra a história de um pescador viúvo de Barcelona preso pelos turcos, quando se encontrava mais afastado da costa com outros dois companheiros, e da forma como Cristóbal de Bívar, seu filho, se disfarça de mouro para o libertar.

O facto de ser apresentada como uma narrativa integrável na série de nuevas relaciones que a partir de finais do século XVII circularam por Espanha com o título tradicionalmente abreviado para El cautivo de... (Cartagena, Málaga, Valencia, Girona ou Gerona), havendo até um de Argel, pode também ter despistado quem andou no encalço do pseudo-texto teatral. Naquele caso conta-se ainda com a coincidência particular de ser referida «una carta que escribió un hijo a su padre en que le dio a entender los tormentos que padecía en su cautiverio en la ciudad de Argel», ou seja uma troca de correspondência entre um filho e um pai.

A proibição inscrita no Índice de 1624 seguramente diz respeito a uma edição diferente desta, pois o que se censura é a Letrilla en endechas mui graciosas, que não aparece neste impresso. Pode tratar-se de uma edição, e até tradução, portuguesa, apesar de a indicação do texto proibido se encontrar em castelhano, que tenha aproveitado o facto de o último fólio ficar em branco para preenchê-lo com outro texto que pouco, ou nada, tenha a ver com o primeiro, como acontece, por exemplo, com o folheto quinhentista da Farsa Penada, que no final imprime um Chiste e umas Trovas, ou com o do Auto de Santiago, impresso por António Álvares, que nas últimas páginas imprime dois romances de Gil Vicente, um à Morte de D. Manuel e outro à Aclamação de D. João III.

Duas circunstâncias podem explicar o facto de os historiadores e estudiosos terem, até hoje, incluído o título no elenco de obras de teatro do século XVI e de nenhum deles ter identificado o texto com a entrada do Índice. Por um lado, a designação de «Auto», tal como acontece com o Principe Claudiano, que no folheto descoberto por Asensio se intitula «Do principe Claudiano» seguido de «Obra da famosa historia do principe Claudiano...», leva a não suspeitar de um texto de outro género, pois o mesmo acontece com este Chriſtoual de Biuar, que se intitula «Obra muy marauillsoa» [sic]; por outro, os impressos omitem no rosto o nome do estudante, que apenas aparece nos versos, favorecendo o despiste; se bem que na mesma página 96 do Índice de 1624 se inclua o «Auto, ou hiſtoria de Theodora».

Fica o já parco repertório português mais pobre em títulos. Em compensação, vão-se acertando e completando dados (a bibliografia do Chiado é enriquecida com a notícia da existência de um impresso de 1605, por exemplo) de modo a poder (re)constituir um Corpus que, apesar de tudo, não é tão reduzido como se tem pensado, e cujos movimentos de dilatação ou de contracção, só um suporte ajustável permite acompanhar. Foi esta convicção que me levou à opção de disponibilizar o Corpus do Teatro Português do Século XVI na página da Internet do Centro de Estudos de Teatro (www.fl.ul.pt/centro-estudos-teatro.htm), onde se encontra em contínua actualização, ao sabor das descobertas, a partir quer de contributo de consultores quer de investigação própria, e à concepção da edição electrónica, única capaz de dar conta de dados de ordem muito variada que o teatro de quinhentos fornece[13], de Teatro de Autores Portugueses do Século XVI (Projecto POCTI/ELT/33464/2000 da Fundação para a Ciência e Tecnologia), que reúne a totalidade dos textos, em todas as suas versões, que em 2007 se encontram localizados.

 

Fig. 1 Folha de Rosto  de Diálogo en que particularmente se tratan las cosas acaecidas en Roma…, sd; sl.

Fig. 2 Folha de Rosto de The Sacke of Rome, London, 1590.

Fig. 3 António Ribeiro Chiado, Prática dos Compadres, fol. 6v.

Fig. 4 António Ribeiro Chiado, Prática dos Compadres, fol. 7r.

Fig 5 Folha de Rosto de Obra muy marauillſoa digna de ſer le | hida y memorada

Fig. 6 Obra muy marauillſoa digna de ſer le | hida y memorada…, fol. 2r.

[1] Pimpão, A. J. da Costa, «As correntes dramáticas na literatura portuguesa do século XVI», A Evolução e o Espírito do Teatro em Portugal - 2º Ciclo das conferências promovidas pelo «Século»,  Lisboa, 1947, pp. 133-168 (repub. em Escritos Diversos, Coimbra, Actas Universitatis Conimbrigensis, 1972, pp. 413-443: 417-418).

[2] Rodrigues, Maria Idalina Resina, «Santos em cena: ensinar, comover e divertir», in Revista da Faculdade de Letras, Língua e Literaturas, Porto, 1993, pp.71-108; republicado em De Gil Vicente a Lope de Vega. Vozes cruzadas no teatro ibérico, Lisboa, Teorema, 1999, pp. 147-189: 147.

[3] Rodrigues, Maria Idalina Resina, «Convívio entre línguas no teatro ibérico (séculos XVI e XVII)», Congresso Internacional de Historia y Cultura en la Frontera, tomo I, Cáceres, Universidad de Extremadura, 2000, pp. 273-289; republicado em De Gil Vicente a ‘Um Auto de Gil Vicente’, Lisboa, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2006, pp. 347-365: 348.

[4] História do Teatro Português I - «Vida de Gil Vicente e sua Escola – século XVI» e II - «A Comédia Clássica e as Tragicomédias», Porto, Imprensa Portuguesa-Editora, 1870, pp. 323-326 e pp. 359-360; História da Literatura Portuguesa - «Escola de Gil Vicente e desenvolvimento do teatro nacional», Porto, Livraria Chardron, 1898, pp. 545-551.

[5] Camões, José, Editar novamente onze textos do teatro português do século XVI, Tese de Doutramento apresentada à Universidade de Lisboa, 2006, vol. II, pp. 253-293 e 295-304; vol. III (ed. em CD Rom).

[6] Não levo em conta nestas eliminações a retirada consensual do último título da lista de «Anónimos», Egloga trovada de Placido e Victoria, que qualquer estudioso da História do Teatro e da Literatura reconhece como deturpação de Égloga de Plácida e Vitoriano, de Juan del Encina.

[7] Index autorem danatae memoriae tum etiam librorum qui uel simpliciter uel adexpurgatione usque prohibentur vel denigriam expurgati perminttuntur. Editus auctoritate Illmi. Domini D. Ferdinandi Martins Mascaregnas Algarbiorum Episcopi Regii Status Consilliarii ac regnorum Lusitaniae Inquisitoris Generalis. Et in partes tres distibutus quae proxime sequenti pagella explicate consentur. De Consilio Supremi Sena Tus Stae. Generalis Inquisitionis Lusitaniae. Ulissp. cusa cul. Exofficina Petri Craesbeck. 1624

[8] Asensio, Eugenio, «Une feuille volante de Baltasar Dias: Obra da famosa historia do ‘Principe Claudiano’», in Bulletin d’Histoire du Théâtre Portugais, t. II, nº 1, 1951.

[9] The Sacke of Roome, Exaequuted by the Emperour Charles Armie euen at the Natiuitie of this Spanish Kinge Philip, notablie described in a Spanish Dialogue, with all the Horrible accidents of this Sacke, and abhominable sinnes, superstitions & diseases ot that Cittie, which provoked these iust iudgments of God. Translated... into the English tounge.— London: Printed by Abell Jeffes for Roger Ward, 1590.— 39 h.; 4.º

[10] Cotarelo y Mori, Emilio, Catálogo de Obras Dramáticas  impresas pero no conocidas hasta el presente, con un apéndice sobre algunas piezas raras o no conocidas de los antiguos teatros francés e italiano, Madrid, Imprenta de Felipe Marqués, 1902.

[11] Pliegos Poéticos del s. XVI de la Biblioteca de Cataluña, introducción por José Manuel Blecua, Joyas Bibliográficas, Madrid, 1976, pp. 265-272 do tomo II (reprodução em fac-símile.).

[12] O único exemplar conhecido encontra-se na Biblioteca de Catalunya, cota R. 300416. Entre o título e o início dos versos apresenta três gravuras em madeira representando un rei moro, um jovemsoldado e um cautivo com grilhetas nos tornozelos. Texto a 2 cols; Inc. Sacre que tu buelo vfano. Colofon: Con licencia, Impreſſa en la emprẽta | de Ioan Amello Año | de 1600. [Barcelona]. Apresenta numeração manuscrita: 116, 117, 118, 119. Encontra-se referenciado sob nº 954  no Diccionario de Pliegos Sueltos poéticos (siglo XVI) por Antonio Rodríguez-Moñino, Editorial Castalia, Madrid, 1970.

[13] Já em 1981, José da Silva Terra previa o recurso à informática, reconhecendo-o como único meio que «poderá pôr à nossa disposição de modo coerente e produtivo o vocabulário do teatro português do século XVI, importante contribuição para o dicionário português dessa época». Cf. Terra, José da Silva, «Para o estabelecimento crítico de um corpus do teatro português do século XVI», Critique Textuelle Portuguese. Actes du Colloque, Paris, 20-24 octobre 1981, Paris, Fondation Calouste Gulbenkian / Centre Culturel Portugais, 1986, pp. 237-242: 240.