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Autos de António Prestes

autosantonioprestesHá mais de um século que vinha sendo reclamada uma edição fidedigna e legível da obra de António Prestes, dadas as muitas insuficiências da publicada por Tito de Noronha (1871), a última integral dos textos do autor quinhentista.

A presente edição, integrada na série dedicada a resgatar o teatro português do Século XVI, orientada pelo Doutor José Camões, pretende, precisamente, preencher esta grave lacuna cultural, permitindo o acesso ao conjunto dos sete autos conhecidos de António Prestes (do seu Auto da Degolação de S. João Baptista nenhum exemplar se encontrou até hoje), que se individualizam no contexto da abundante produção dramática portuguesa de Quinhentos, apresentando-se significativamente distantes do universo da chamada «escola vicentina», quer do ponto de vista temático, quer do da mecânica cénica, quer, ainda, pelo que neles, sem romper com a tradição daquela, anuncia uma nova sensibilidade e uma arte diferente, que, como notou Eugenio Asensio, «prefere o novo ao espontâneo, o engenho à beleza, o fragmento sugestivo à construção harmoniosa e unitária». Com efeito, na obra Autos de António Prestes estamos perante um teatro do quotidiano de uma burguesia desafogada, concentrado no lar e na família, que celebra o casamento e o amor conjugal, num mundo de funcionários superiores de organismos judiciais, em que os criados adquirem o estatuto de sujeitos protagonistas, mais pela sua condição social do que pela sua função dramatúrgica, relativamente acessória.